A Coreia do Sul precisa do feminismo?

안녕 안녕 여러분!

Depois que me foi sugerido esse tema, demorei muito para escrever o post de forma consistente, e vi que não conseguiria. O assunto flutua em muitos campos e há uma gama muito grossa de aspectos pra cavar, então, no fim, escrevi de forma intuitiva, ainda tentando manter os posts curtos, introdutórios e didáticos. Espero, verdadeiramente, que gostem.

Vamos lembrar que: Machismo é a opressão aos direitos da mulher, em todos os níveis morais e intelectuais, na vida familiar, social e profissional, além da pressão para os homens que “não correspondem às expectativas de homens da sociedade.” Machismo não é bom e feminismo não é a opressão da figura masculina, mas o empoderamento da mulher nessa sociedade patriarcal e desrespeitosa.

Esse é um blog pessoal, onde expresso a minha opinião, baseada em ambas vivência própria e constante pesquisa na Internet, tanto por artigos ou depoimentos de terceiros. Comentários estão abertos para ouvir a opinião de vocês também!

Falar desse assunto requer cuidado, mais pela razão da dificuldade de algumas pessoas (homens E mulheres) compreenderem o que é a luta pela igualdade dos gêneros do que pela delicadeza do assunto. Você fala um ponto x, e sempre vai ter alguém rebatendo com uma situação extremista ou com um exemplo chulo, coberto por um tom de razão — mas apenas o tom. Mas vamos tentar tanto eu, escrevendo, como vocês, lendo e comentando, sermos tolerantes e sensatos, certo? Também acredito na qualidade intelectual e de caráter dos meus leitores. ♥

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De acordo com o Global Gender Gap Report (Relatório Global de Diferença Entre Gêneros), realizado em 2014 e incluindo 144 nações, liderado pela Islândia como o país com menor diferença de tratamento entre homens e mulheres, mostra a Coreia do Sul na 117ª colocação — seis colocações abaixo do retratado em 2013— enquanto o Brasil aparece na 71ª. O relatório avalia participação econômica, educação, poder político, saúde e sobrevivência.

Eu fiquei no mínimo assustada quando vi esses dados, pois, socialmente, tendo vivido no Brasil por 24 anos da minha vida, lá pareceu discriminar as mulheres muito mais do que no meu um ano de Coreia. Claro que eu não sou coreana para comparar a experiência objetivamente e não estou falando que aqui não há os mesmos riscos para uma mulher que existem no Brasil. Também, a pesquisa abrange além da segurança da população, mas ainda é uma diferença chocante de colocações, para alguém que esperava o Brasil na posição que a Coreia se encontra.

A verdade é que a Coreia não se diferencia muito de outros países na cansativa questão do “mulheres devem se comportar de tal maneira,” enquanto os homens vivem mais livres dentro de suas escolhas, sejam elas profissionais ou meramente sociais, como a roupa que vestem. A grande questão é que o grito pela igualdade é muito mais alto em outros países, muito mais mulheres não ligam para esses padrões de mil novecentos e bolinha e tentam combater esses esteriótipos. Isso não quer dizer que não há grupos feministas na Coreia, ou que eu esteja falando que elas são conformadas, mas que toda essa questão é considerada muito mais como parte da cultura do que uma falha na sociedade que deveria ser corrigida.

Simon & Martina, do canal Eat Your Kimchi, já compartilharam experiências de reuniões de negócios onde os coreanos com quem se encontravam não se dirigiam à Martina na conversa, como se “não reconhecessem a existência dela,” quotando do próprio depoimento deles. E isso é comum se você, mulher, estiver acompanhada por um homem, tanto em reuniões como em restaurantes, sua presença vai ser considerada apenas como uma extensão da figura do homem, e não como um ser humano capaz de falar e responder por si própria.

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Os homens na Coreia esperam a figura delicada, frágil, que vai chamar “Oppa” com a voz doce e meiga, fazer aegyo e aceitar que seja puxada pelo pulso como caminham os casais pelas ruas daqui — não um ou outro casal, mas a maioria.

Tenho uma amiga coreana que começou a namorar depois de nos conhecermos, e enquanto ela compartilhava algumas reclamações que o namorado dela fazia e me pedia conselhos, eu só conseguia falar “Sai dessa, amiga, se ele não te dá valor, essa relação só vai te fazer mal.” Era um extremo de reclamar que o jeito que ela ria não era feminino o suficiente, que ela devia fazer as unhas e cuidar do cabelo, além de que, todo dia, ela preparava o almoço pra ele e lidava com o mau humor se não o fizesse. Pode parecer um caso isolado, mas é uma porcentagem que reflete inúmeros relacionamentos.

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Aqui, é um choque ser uma mulher solteira. Eu mesma, já ouvi de coreanos “Você não tem namorado? Que triste…”, enquanto o mesmo em questão também não tinha namorada. Tudo o que eu pude responder foi “Triste? Hoje eu almocei frango frito e sai com minhas amigas, minha vida está ótima.”

Uma mulher segurando um diploma tem menos chance de conseguir um emprego do que um homem na Coreia. Entre as nações mais desenvolvidas do mundo, a Coreia do Sul atinge o último lugar de mulheres graduadas empregadas. 29% mais homens são empregados. Além da pressão que elas sentem para largarem seus empregos quando têm filhos, mesmo que elas não queiram e estejam preparadas para lidar com a vida de mãe e trabalhadora. Já viram por aí a pesquisa de que a taxa de natalidade na Coreia do Sul está entre as menores do mundo? Parte disso é reflexo das mulheres sul-coreanas se focando em um sucesso profissional e estabilidade de carreira, deixando planos de casamento ou filhos longe de suas prioridades.

Porém, isso acaba indo contra um dos maiores legados da cultura: mulher tem que casar. Tive uma professora que falava firmemente que não precisa de marido e se sente melhor sozinha, isso, um caso raro na sociedade coreana. Outros depoimentos, de professores estrangeiros que lecionam desde ensino médio até faculdade, relataram que as alunas reduziam a frequência na aula e as notas quando arrumavam um namorado, pois “Não precisavam se preocupar mais com isso.”

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Até porque, aqui, a cultura do namoro é inversa à brasileira. No Brasil, ficamos, conhecemos a pessoa, passamos umas semanas e ousamos uns meses juntos, para, então, firmar um namoro. Na Coreia, pá, namoro, e vai se conhecendo. Chega ao exagero, chega ao ponto de uma conversa de menos de 24h de duração resultar num pedido de namoro (experiência própria.)

Entre as lutas do feminismo na Coreiaque é chamado de “luta pela igualdade de ambos os sexos,” o termo feminismo não existe em coreano — temos não só um salário competente à profissão, independente do gênero, mas também respeito nos vocábulos do idioma coreano. Como, por exemplo, o homem poeta é chamado de “poeta” e, a mulher, “mulher poeta.”

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Sabemos que o entretenimento é traiçoeiro, mas provavelmente muito mais sofrido para as mulheres, e meninas, que embarcam nesse universo. Enquanto grupos masculinos apresentam os mais variados conceitos e são mais aceitos pelo público, vemos os grupos femininos numa gangorra de dois extremos: super sexy ou super fofas, os limites entre serem mulheres e serem meninas, onde, raramente, conseguem equilibrar a gangorra entre os dois conceitos, mas acabam pendendo novamente para um dos lados. Essa é a realidade de grupos femininos de K-POP. Os poucos que arriscam fora desses padrões estão sujeitos ao sucesso ou ao “flop,” ao esquecimento.

2NE1, Wonder Girls, Brown Eyes Girls, Girl’s Generation, nomes icônicos que conseguiram construir sua própria identidade e se colocarem acima dos padrões impostos pelo entretenimento, cada grupo com um conceito distinto do outro; essas sobreviveram.

Rania, GLAM, EvoL, D-Unit, não vingaram como suas companheiras, entre o disband ou não alcançar a fama, todas elas arriscaram um conceito longe dos padrões e, infelizmente, ainda não viram o sucesso que merecem.

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E não tem problema ser super sexy, não tem problema ser super fofa, mas os grupos estão condenados a esses conceitos em prol do sucesso, mesmo que não combine com elas, mesmo que elas não estejam confortáveis com isso. “Nós não fizemos isso porque queríamos,” Hyoeun, do Stellar, sobre o último comeback.

Mas essa história entra em contradição quando elas são, também, julgadas por seus conceitos sexy. Grupos femininos andam em uma corda bamba, onde precisam equilibrar serem sexy e empoderar sua beleza, sem serem ousadas e sexy demais, e não serem tão fofas que pareçam falsas em suas atitudes. Enquanto os grupos masculinos caminham livres em conceitos fofos, sexy, hiphop, românticos, com um grau de julgamento bem inferior.

“Quando grupos fazem conceitos sexy e revelantes, homens são considerados legais e mulheres são injustamente taxadas de baratas e que só querem atenção.”

Lee Joon – ex-MBLAQ

Em um cenário ainda mais triste, essas meninas que correm atrás de seus sonhos acabam tendo que enfrentar o “você vai ter que fazer de tudo pelo sucesso,” onde se traduz os assédios sexuais e estupros que ocorrem entre as quatro paredes de algumas agências. Isso acaba não sendo uma realidade apenas para as meninas, mas para os meninos também. Como o caso de 2012, do CEO da Open World Entertainment, que abusou e forçou trainees a abusarem de pelo menos seis trainess meninas da época.

Jang Jayeon cometeu suicídio em 2009, revelando, em uma carta, que seu agente não só abusava dela como a forçava a manter relações sexuais com poderosos do entretenimento sul-coreano. Entre outros vários depoimentos de quase-trainees, que sofreram assédio ainda antes de assinarem contrato. Infelizmente, isso é uma realidade não apenas na Coreia, mas no mundo.

Quote de um comentário de um netizen coreano;

“Sim, essa é a sociedade coreana. Mulheres bonitas são tratadas como princesas, feias como lepra, casadas como mulas, e todas elas como cidadãos de segunda classe.”

Com uma luta atrás da outra, o cenário pode melhorar no mundo inteiro, dentro de nossas casas, no ambiente de trabalho, escola, nas festas, nas ruas, em todos os lugares. Não é só a Coreia que precisa do feminismo, mas o mundo. ♥

tumblr_nhnnkslixY1rcoad1o1_1280“Eu não acredito em uma hierarquia entre homem e mulher. Eu acredito que tudo que possua vida, é igual ao outro, mesmo para o que não tem um coração que bata.”

Jonghyun – SHINee

Edit: Oi! Pós muita repercussão (positiva ♥) do post, venho não só agradecer, mas também comentar sobre algo que vi de feedback de alguns poucos comentários, que foi sobre a citação do Jonghyun acima. Não a citação em si, mas o fato de ter usado o Jonghyun que, aos olhos de alguns, não corresponde ao movimento feminista. Não quero estender essa nota a um texto maior que o post, por isso, então, vou falar brevemente sobre.
1. Eu poderia por uma citação de uma mulher coreana e, como muitos têm os ídolos coreanos como modelo, quis procurar uma citação de uma artista do entretenimento. Não achei. Existem citações de sub-tópicos como a Hyuna falando que não há problema na mulher ser sexy e se orgulhar disso, da CL falando que tem como objetivo quebrar o esteriótipo da mulher asiática (mas isso acaba refletindo apenas para a própria imagem dela), mas não achei citações que falem de forma sublime e curta sobre o feminismo. Existe? Provavelmente, mas não podia deixar o post nos rascunhos pra sempre, até achar.
2. Existe uma controvérsia sobre o Jonghyun ser machista, exatamente de onde essa citação apareceu. Eu li sobre o caso e, não, eu não acredito que ele tenha feito um comentário machista e, mesmo assim, ele foi se esclarecer com a fã, pois, se ele foi mal interpretado e se expressou mal (e se desculpou por isso, porque na Coreia, uma vírgula fora do lugar é motivo pra se desculpar), ele tinha esse direito.
3. O Jonghyun defende várias causas de minorias/grupos alvos de preconceito, se um erro ou palavra mal interpretada fosse motivo pra anular até quando ele agiu bem, mesmo quem julga ele deveria olhar pra trás em seus passos, não? O feminismo não é sobre virar as costas para os homens, nem apedrejar moralmente um ou outro que cometeu um deslize. Parte do feminismo também é educar. Não seria realmente alarmante se eu colocasse uma citação do Kim Hyunjoong? Ele sim, seria motivo pra escarcéu. Jonghyun não é um Hyunjoong.
4. Eu não obtenho todo o conhecimento do mundo, sou leiga, sou nova, tento ler e pesquisar devidamente sobre tudo que escrevo, pesquisei muito por uma citação pra finalizar o post (como eu costumo finalizar os posts sobre esses assuntos), achei o do Jonghyun propício. Talvez, você abra a Internet e em dois minutos ache uma citação mais cabível, uma citação melhor — vinda de uma artista do entretenimento, como eu expliquei antes — e isso que é incrível na Internet, ela é grande e cheia de conteúdo e, de repente, você ache algo que eu não achei. Nesse caso, os comentários estão abertos para que você acrescente mais informação às pessoas, e até pra mim. ♥

Mesmo depois de finalizar o post, eu continuei procurando uma citação, e acabei que decidi pesquisar entrevistas com coreanas fora do entretenimento para adicionar citações ao post. Coisa que eu ainda não fiz, porque o post só tem dois dias de publicado. Se/quando eu achar, eu vou adicionar as citações.

Sei que não foi um fator apontado por muitos, na verdade foi uma ou duas pessoas, mas preferi falar sobre. Espero que entendam. ^^

Obrigada novamente pelo apoio, e prometo melhorar nos próximos posts.

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17 comentários sobre “A Coreia do Sul precisa do feminismo?

  1. Adorei a matéria! Fiquei super chocada com a posição em que a Coréia se encontra no ranking. Tinha ideia mas não pensava que teria essa diferença tão grande entre ela e o Brasil.
    De fato os países tem o machismo como um grande problema mas eles se manifestam em diferentes situações. Aqui no Brasil temos a violência física contra mulher como expressão máxima desse machismo, acho que por isto ser uma coisa mais perceptível (visivelmente) nós acabamos pensando que o Brasil estivesse lá nos confins do ranking…
    Hoje mesmo estava assistindo um dorama em que a protagonista dizia sobre a intimidação que se sentia ao iniciar sua carreira rodeada, no ambiente de trabalho, por homens. Como consequência ela criou uma bolha de auto proteção mas por dentro ela era um ser humano emocionalmente frágil.
    Enfim… cada vez mais a onda feminista avança para combater essas diferenças, seria bom se elas fossem combatidas de uma vez, mas cada país tem o seu ritmo.

    • Obrigada, Paloma! Que dorama é esse?
      E sim, como eu falei em outro comentário, no Brasil, é mais visível os números de mortes, estupros, assédio sexual e afins, enquanto na Coreia acontece, como quase tudo, uma pressão psicológica maior, socialmente elas enfrentam mais pressões, ou essas pressões são mais visíveis que no Brasil.

  2. Thais, a matéria ficou muito bacana. Além disso, acredito que ajudará a esclarecer um pouco para todas e todos que ainda não estão muito familiarizados com a temática, sobre a importância do feminismo e o empoderamento da mulher na sociedade e nas relações.

    • É um dos maiores problemas, né? O preconceito que o termo sofre pela falta de conhecimento… Espero mesmo ajudar um pouquinho, e conscientizar mais pessoas que mudanças são necessárias. Obrigada, Brisa!

  3. Puxa, muito legal esse post!
    Continue puxando assuntos mais delicados, acho muito importante, e você estando aí é a melhor pessoa quem pode identificar e mostrar pra gente como funciona essas coisas.
    Nunca nem fui pra Coreia, mas há muito tempo venho observando que é uma sociedade muito conservadora, fico chocada como algumas coreanas já se preparam pro casamento tão cedo, tão jovens, quando eu aqui penso nisso como uma possibilidade muito distante, e conheço muitas meninas aqui que vislumbram construir uma família só depois dos trinta anos; ou como se jogam de cabeça em um relacionamento e essas coisas, além de relatos de outras pessoas contando como funcionam os relacionamentos, ao invés de achar fofo, eu só conseguia ficar mal por ver como fazem essa cobrança do comportamento da mulher, é como se devessem ser robôs para satisfazer os desejos do homem, e acaba sendo interpretado como algo normal (??)
    Acho que esperamos que o Brasil estivesse na posição da Coreia pela violência ser tão exposta nos noticiários, pelos casos que nós mesmas conhecemos, pelas relações que vemos entre as pessoas, mas é esse mesmo barulho que agora tem feito a mulher cobrar mais e lutar mais pela equidade de gêneros, acho que essa década que estamos vivendo no Brasil é o inicio de um desmembramento de idéias obsoletas para o inicio de novas concepções, vamos a passos lentos, mas não estamos mais parados.
    Desejo mesmo que tanto aqui, aí e em todos os lugares, as pessoas entrem em um consenso do que é justo entre qualquer relação que seja.
    E entendo esse seu receio sobre se posicionar no feminismo, porque com pouco podemos ser taxadas de extremistas, ou coisa parecida, mas acho que com bom senso, chegamos em um consenso entre as idéias e os fatos. Não tema, defenda e acredite, o caminho é seguir lutando pra que mais nada se submeta nada, nem a ninguém.
    Obrigado por ter feito o post <3

    • Obrigada pelo comentário, Maria! ♥
      “Acho que esperamos que o Brasil estivesse na posição da Coreia pela violência ser tão exposta nos noticiários.” Exatamente!!! O que difere é que o Brasil, infelizmente, é um país violento, e isso acaba expressando bastante do machismo. Na Coreia, o problema é mais pela pressão psicológica/social. Os dois refletem o machismo de maneiras diferentes.
      Mas sim, vamos mudando aos poucos! Talvez não vejamos a mudança agora, mas com certeza poderemos criar um mundo melhor para o futuro!~

  4. Muito boa a matéria!!
    Sempre achei a forma com que a Coreia diz que as mulheres devem agir um absurdo, já imaginava que estaria num ranking estaria em uma posição nada confortável. Pelo que vejo daqui, a Coreia tem muitos problemas relacionados a esse conservadorismo extremo, tanto na vida pessoal quanto na profissional, sempre cobrando um determinado comportamento. Realmente pensava que o Brasil estaria numa posição mais baixa, com toda essa violência gratuita e exposta que sofremos todos os dias. Ambos os países precisam de cada vez mais pessoas lutando pela igualdade, não vai ser uma mudança de um dia para o outro. Espero que tanto na Coreia quanto no resto do mundo, essas mulheres que sofrem todo tipo de pressão ou violência apenas pelo fato de serem mulheres, se deem conta que esse “modelo” que lhes é determinado não faz sentido algum, e lutem cada vez mais pela igualdade, tornando um mundo mais justo futuramente.

  5. Amei a matéria sério *O*, só descordo de uma coisa: o SNSD é um grupo que se sucumbe ao machismo, elas seguem essa rota imposta pelo mundo do Entretenimento, e as traduções da musica delas são na maioria das vezes falando de garotos e como ficar ”aceitável” para eles, fora isso o resto realmente tem um conceito diferenciado…mas amei muito sua matéria, seria bom ver alguém chegando e falando pro povo coreano: Não somos obrigadas! ehehe \o/

    • Na verdade, eu não entrei em mérito de letra de música, porque, se for analisar por esse lado, várias letras mesmo de grupos que pregam o “woman power” acaba não tendo a mesma apelação. SNSD entra em vários moldes e rótulos, mas conceitualmente elas não se sucumbem ao que eu exemplifiquei em prol do sucesso: os conceitos extremamente sexy ou extremamente fofos. Querendo ou não, elas têm a imagem “menina-mulher” sem extrapolar.
      Fico feliz que tenha gostado!!~ E vamos falar em toda as línguas: Não somos obrigadas! ♥

  6. Muito bacana o seu texto! Acho que os próprios coreanos(as) tendem a contextualizar a situação das mulheres mas os dados frios mostram a realidade. Foi interessante ver o ponto de vista de uma não-coreana sobre o assunto, que é mega complexo.

  7. Brilhante texto. Bem escrito, sucinto, com tudo o que precisava ser dito, tendo o necessário de informações e de experiências vividas para dar embasamento ao que você descrevia. Gostei de como, ao invés de julgar com palavras infundadas, você demonstrou como as coisas são problemáticas por lá, e não só expôs como as mulheres lá sofrem na mídia, como citou os próprios relacionamentos domésticos e de pessoas mais “normais”, que não aparecem frente às câmeras.
    O Grande problema da Coreia, em minha opinião, é essa mania feia que eles têm de achar que é cultural e deve ser mantido o pensamento arcaico de tradições erradas. Tanto para o machismo, como para o racismo e a homofobia, que são coisas que vemos direto nas notícias de k-pop. E se os idols que a gente curte já se seguram muito pra falar certas coisas e, mesmo assim, acabam dando suas mancadas, tu imagina como não é no cotidiano das pessoas que não precisam se policiar no que vão dizer?
    Eu gosto de como o kpop pode acabar por quebrar vários conceitos errados no meio “tradicional” coreano. Cada vez mais, vemos grupos sexy, debuts de GG, e eu acredito inclusive que as últimas citações da Hyuna, sobre antes achar feio mostrar ser sexy, mas hoje em dia não ver um problema nisso, são um BOOM muito grande e o que precisávamos para fazer a diferença. Precisamos de mais mulheres na mídia que reconheçam sua sexualidade como propriedade delas, para fazer o que bem quiserem, para demonstrar sua independência, e aguardar que com isso, as jovens que escutem tais grupos acabem por tomar como exemplo.
    Espero todos os dias que o kpop repercuta mundialmente, não só para que os ídolos que amamos ganhem reconhecimento, mas para que mais pessoas de fora possam apontar quando seu ídolo diz uma besteira, e para que nossos próprios pensamentos possam refletir no espelho coreano e quebrar esse molde errado e feito de vidro fosco.
    Você, como ficou lá por esse um ano, deve ter bastante noção desse lado sujo que muitos fãs de kpop não conhecem, e é legal que tenha feito uma postagem sobre isso. Continue com esse tipo de postagem, porque certamente, é interessante que os fãs da boa música coreana conheçam também os aspectos que DEVEM ser mudados no país que também respeitam. Mais uma vez, ótima postagem!
    Um beijo <3

  8. Pingback: A importância da Hallyu para a Coreia | na terra do kimchi 『김치의 땅에서』

  9. Pingback: Oh My Venus e o feminismo na Coreia do Sul - AnimeSun

  10. Queria te perguntar sobre a questão de assédio nas ruas, já que você foi na Coreia gostaria de saber sobre isso, aqui no Brasil é evidente as boçalidades que as mulheres escutam… Na Coreia acontece o mesmo? Com a mesma frequência que a brasileiras escutam?

  11. Gostei bastante da forma como você escreve. Estou pesquisando sobre isso porque tenho interesse em estudar ai. Tive uma experiência ruim com um professor de coreano essa semana aqui no Brasil e isso reforçou um pouco os meus receios. Obrigada pelo texto e por não endossar a sensação que tive com o coreano que conheci.

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